04
maio
Revolução digital e o mundo do trabalho
Há anos os pensadores focados em redesenhar a vida contemporânea alertam que o modelo atual sob o qual a sociedade está estruturada chegou ao seu limite. Quando o arquiteto e professor do MIT William Mitchell escreveu seu E-topia, em 2000, os espaços de coworking (espaços coletivos de trabalho) ainda eram incipientes e acessíveis apenas aos que trabalhavam diretamente com tecnologia da informação.
Pouco mais de uma década depois, trabalhar em qualquer espaço com internet banda larga é não só uma realidade crescente, como também a forma de reduzir problemas urbanos, de criar uma vida alicerçada em valores mais humanos e, principalmente, de viabilizar uma série de novos negócios e processos.
Novas empresas crescem e se consolidam em ambientes coletivos. E aí vale ressaltar não apenas o baixo custo, que permite a existência de muitos serviços por aí, como também o ambiente de troca e colaboração, característicos desses espaços. A multidisciplinaridade permite que produtos, serviços e processos sejam criados para lidar com (e, quem sabe, resolver) problemas contemporâneos de forma mais abrangente e efetiva.
A Casa da Cultura Digital, iniciativa da qual participei desde os meses de formação em meados de 2009, em São Paulo, é um bom exemplo disso. Ao juntar desenvolvedores, comunicadores, artistas, hackers, pesquisadores de diversas áreas em um mesmo espaço criou-se uma atmosfera bastante produtiva para pensar (e lidar) com as questões contemporâneas. O impacto causado pelo digital na sociedade (e as oportunidades trazidas pelas novas (e velhas) ferramentas na construção de uma sociedade mais justa) orientou muitas das ações criadas na Casa, que de um espaço partilhado de trabalho passou a ser uma rede de pessoas, projetos e ideias ligados ao universo digital.
Esta semana, estive a convite do CEAT (Centro de Atendimento ao Trabalhador) no Seminário Internacional Agenda Social do Trabalho. Participei da mesa sobre “Tecnologia, empreendedorismo e inovação”, ao lado do Juliano Seabra, da Endeavor, e do ex-Ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Veloso.
Ao mostrar exemplos como o da Casa da Cultura Digital e do menino Jack Andraka, que aos 16 anos construiu um revolucionário teste para diagnóstico de câncer no pâncreas a partir de pesquisas na internet, ajuda recebida em fóruns online e materiais caseiros, procurei evidenciar o como salas, quartos, garagens e cafés pelo mundo viraram potentes laboratórios de inovação.

Basicamente, um computador conectado a uma internet banda larga é capaz de impulsionar a criação de produtos, serviços e processos que mudam rapidamente a forma como nos relacionamos. Google, Facebook, Yahoo, dentre tantas outras empresas de internet, são exemplos claros disso.
O acesso à informação em uma escala antes impensável e a possibilidade de nos conectar (e trabalhar à distância em conjunto) com pessoas em diversas partes do planeta permite que as ideias se concretizem de forma mais rápida. E que a criatividade, de fato, possa agir.
A oficina de visualização de dados em massinha de modelar, feita pelo pessoal do Ônibus Hacker, é um exemplo do que acontece quando você tira da frente as “caixinhas” que separam a política, da arte, da comunicação, da diversão, da educação (entre tantas outras). No vídeo abaixo, o resultado de uma visualização feita pela Daniela Silva e Bruno Fernandes sobre os planetas e o sistema solar, durante o International Space Apps Chalenge.
Size of Earth from bruno fernandes on Vimeo.
“Com dados sobre o tamanho dos planetas do sistema solar e do Sol, os três mostram, usando apenas massinha de modelar, um cadarço e uma câmera, como a Terra é pequena em relação à maioria dos demais. Dessas coisas que deixam claro que uma boa visualização de dados, como a deles, é melhor do que qualquer outro instrumento para dar determinadas dimensões.”, como compilou matéria sobre a ação publicada no Estadão.
Expansão dos “Coworking Spaces” pelo país
Recente pesquisa divulgada pela DeskWanted compilou dados sobre a expansão dos escritórios de trabalho partilhados pelo mundo. Segundo o relatório, durante o ano de 2012 cerca de 4,5 novos espaços de coworking surgem a cada dia útil. E esse número ainda deve crescer muito.
Já são muitas as iniciativas voltadas a mapear “espaços de trabalho” nas cidades e a conectá-los aos trabalhadores interessados. Além da DeskWanted, DeskSurfing, LiquidSpace, TouchDown Space, Coworkify, OpenDesks, AllDesk são algumas das iniciativas em ação.
No Brasil, o Coworking Brasil e a Movebla são sites que compilam, respectivamente, informações sobre os espaços comerciais em atividade no país e notícias relacionadas a esse universo.












