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Dez
Biotecnologia e crowdsourcing: o mapeamento coletivo das bactérias presentes no corpo humano
Questões relacionadas ao sequenciamento genético e à biotecnologia me intrigam desde o do colégio, quando acompanhava as notícias da ovelha Dolly. Naquela época, não imaginava que cerca de 15 anos depois ia ser possível receber um pacote em casa, raspar secreções da bocheca, enviá-las pelo Correio e ter em mãos nas semanas seguintes um catálogo sobre as bactérias que habitam o meu corpo com um detalhamento e explicação sobre cada tipo de microorganismo.
É isso que propõe o uBiome, projeto de mapeamento coletivo das bactérias presentes no corpo humano, que tem o intuito de criar uma base de dados cidadã, abrir o processo da pesquisa científica, aproximar pesquisadores das “pessoas comuns”, oferecendo a elas informações úteis e relevantes sobre seu corpo e saúde. Além do diagnóstico, o projeto permite ainda a comparação, de forma anônima, dos seus dados com os dados da base total coletada. Veja mais explicações sobre como o projeto funciona no vídeo:
Além de usar o conceito de crowdsourcing em seu modo de produção, o projeto abriu a captação de recursos via crowdfunding na plataforma IndieGogo, por meio da qual espera arrecadar 100 mil dólares até o começo de janeiro de 2013. Em um mundo no qual grandes projetos da indústria farmacêutica ou do agronegócio são desenvolvidos a sete chaves, sem publicação ou depósito de informações em bancos públicos, assistir a abertura desse processo de pesquisa científica é algo fantástico!
Mais animador ainda é ver que as startups de biotecnologia (tem uma lista delas no site scistarter) não param de surgir no Vale do Sílicio e até aqui no Brasil. A Beagle Bioinformatics, do pesquisador paraibano Vinicius Maracajá, é uma dessas empresas que pretende abrir os processos da pesquisa científica na área de sequenciamento genético. Um de seus projetos, a plataforma NimbusGene, selecionada pela incubadora chilena StartupChile, pretende automatizar as análises dos estudos genéticos em um ambiente amigável e colaborativo. Nela, os projetos de genômica poderão ser desenvolvidos com um simples clicar no mouse.
Se levarmos em consideração que hoje os projetos de bioinformática demandam uma infraestrutura pesada e, por consequência, investimentos maciços, jogar os dados para a nuvem facilitará em muito a vida de quem trabalha na área e a evolução das pesquisas no geral. É a lógica da colaboração chegando onde menos se espera…
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Atualização feita em 15 março de 2013:
A Beagle Bioinformatics deve lançar em breve a plataforma de crowdfunding para projetos de genoma Dodo Funding. A lauching page do projeto já está no ar. A proposta é parecida com a da plataforma Microryza, mas esta não se limita a projetos de genoma. Coleta de dados para combater a mortalidade infantil e uma pesquisa sobre uso de armas estão na lista de projetos em busca de apoio.
