07

Mar

Impressão 3D e a revolução nos meios de produção

2012 foi marcado pela chegada no Brasil de serviços comerciais ligados a impressoras 3D de baixo custo. MetaMáquina, Imprima 3D/Robtec são algumas das empresas que surgiram ou passaram a atuar no setor e vêm aprimorando seus serviços com a mesma velocidade na qual eles são difundidos.

A Folha fez uma matéria no mês passado sobre a popularização das impressoras 3D, que mostra o impacto desse avanço. A fabricação de protótipos mais baratos, beneficiando pequenas indústrias e inventores, e a integração a processos produtivos complexos como, por exemplo, para fazer protótipo de peças-piloto de avião são alguns dos pontos destacados.

No vídeo abaixo, os sócios da MetaMáquina, empresa que construiu a primeira impressora 3D caseira no Brasil a partir de um aporte conseguido via financiamento coletivo no Catarse, falam mais sobre a máquina.

Com menos de um ano de empresa, a MetaMáquina já lançou uma nova impressora, quatro vezes mais rápida e com maior precisão (e muito mais bonita): 

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Anúncio da nova impressora à venda por 3.700 reais.

Constantemente me perguntam por que essas impressoras são tão revolucionárias e por que tanta euforia em torno da impressão 3D? Pode ser legal imprimir um boneco de plástico, um chaveiro, um apito, mas… e daí?

A impressão 3D desmaterializa os objetos, transformando-os em informação, assim como a Internet desmaterializou os livros e os discos. 

“Ao reduzir a importância da economia de escala na oferta de bens materiais, eles estimulam que sejam feitos produtos específicos, adaptados a necessidades concretas dos usuários e que podem ser desenhados por qualquer um que tenha talento para tanto. O poder individual do consumidor aumenta de forma impressionante, pois ele não tem que se adaptar ao que lhe é oferecido de antemão, mas pode ser protagonista da oferta e mesmo da produção do que deseja.” Explica o professor da Universidade de São Paulo Ricardo Abramovay, em artigo “O Movimento dos Fazedores e o Espírito do Faça Você Mesmo”, publicado na Folha de S. Paulo no final de 2012.

Seguindo a mesma linha, o também professor da USP Luli Radfahrer em apresentação no último Intercon destacou as impressoras como “a caixa de pandora, a invenção mais brilhante de todos os tempos”. Luli antecipa aquilo que já está em discussão nos EUA e Europa: o uso de impressora 3D para imprimir roupa, sapato, comida…

(A fala do Luli sobre as impressoras 3D começa no 24:23. E vale assistir a palestra “Biohacking e Transhumanismo: inteira)

Ainda em fase de estudo e protótipo, impressoras 3D focadas em alimentos já estão circulando por aí (por ora, ainda em versão super experimental). Matéria no The Gardian publicada ano passado discutiu, inclusive, se carnes artificiais feitas em impressoras 3D não seriam possíveis aliados na redução do impacto ambiental. 

“Apesar de ainda não à venda, os primeiros modelos de impressoras 3D de alimentos já foram feitas. Elas ainda são muito primitivas - por exemplo, fazem chocolate em formas personalizadas. Mas, como impressoras 3D, em geral, tornam-se cada mais sofisticadas, menores e mais baratas, é inevitável que em algum momento uma impressora de alimentos 3D será tão onipresente quanto um forno de microondas.” Traduzido do 3dfoodprinter.

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Outros exemplos de experimentos nesta linha são encontrados na matéria: http://news.cnet.com/8301-11386_3-57493377-76/3d-printed-meat-its-whats-for-dinner/

Experimentos com impressora 3D estão sendo feitos em todos os cantos ligados à produção dos mais diversos tipos de objetos. Aquilo que era papo de filme futurista já virou realidade…

Para ficar de olho nas pesquisas em desenvolvimento, recomendo o site:  http://www.3ders.org/. Aproveite e leia também: 10 coisas para se fazer com uma impressora 3D

 

05

Dez

Democratizando o acesso às ferramentas da inovação

Em fevereiro deste ano estive em São Francisco para participar de duas conferências sobre inovação no sistema financeiro (The Future of Money and Technology Summit e Unmoney Conference). Poderia escrever muito sobre os dois eventos, mas uma terceira experiência na Califórnia ofuscou o restante. Foi a ida ao Tech Shop, makerspace criado em São Francisco em 2006 e já presente em mais quatro cidades dos Estados Unidos. 

Há tempos ouço falar e vejo pela internet os makerspaces, fab labs, rede labs espalhados pelo mundo. Acompanhei muito de perto a criação do primeiro hackerspace no Brasil, o Garoa Hacker Clube, instalado desde 2010 no porão da Casa da Cultura Digital (e mais embrionariamente, nos idos de 2005, na sala da minha própria casa, quando Felipe Sanches e Rodrigo Pitanga, alguns dos fundadores do Garoa, viravam madrugadas lendo livros de inteligência artificial, enquanto gráficos 3D pulavam nas telas dos trocentos computadores espalhados pela casa).

Nenhuma experiência prévia, porém, diminuiu o meu encanto com o espaço criado por Mark Hatch. As muitas salas são todas equipadas com maquinários que variam de enormes impressoras a laser, impressoras 3D, todo o aparato possível para marcenaria, costura, robótica, restauração de prataria, construção de joias etc etc etc etc. 

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Um paraíso do Do It Yourserlf e impressionantemente amigável a qualquer um. A qualquer um mesmo. Tudo muito organizado, explicado, com possibilidade de cursos, mentorias e suportes diversos. As pessoas costumam deixar seus projetos de móveis, por exemplo, colados nas paredes. Assim, o próximo pode copiar, remixar e adequar a um novo formato. Não é de chorar de lindo?

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Conheci antes o Noisebridge, um dos hackerspaces mais famosos do mundo e, de fato, um lugar incrível. Mas a sensação de “que legal, mas uma pena que não nasci com essas habilidades” só desapareceu na visita ao espaço seguinte (que ainda por cima consegue manter tudo em ordem e organizado).

Esta semana, o professor da FEA/USP e sociológo econômico Ricardo Abramovay publicou em sua coluna na Folha de S. Paulo o artigo O movimento dos fazedores e o espírito do faça você mesmo, sobre o novo livro de Chris Anderson. Na carona, Leo Foletto, do Baixa Cultura, postou A “nova” revolução industrial: fablabs e hackerspaces, explicando um pouco mais como funcionam esses espaços. Acabo de ler no blog Educ-Ação, um post inteiro (The Power To Do It Yourself) dedicado ao 3RD Ward, espaço em Nova Iorque similar ao Tech Shop. E aí foi impossível não lembrar da experiência do começo do ano!

Abaixo, um vídeo-palestra do Mark Hatch, na Make Fair de 2012, no qual ele explica todo o projeto e os resultados alcançado nesses anos. Uma das maiores importâncias desses espaços é o acesso à criação de protótipos e, por consequência, a democratização de invenções. No TechShop, foram criados, por exemplo, o Square, dispositivo que ao ser acoplado ao iphone possibilita pagamento por cartão de crédito/débito, uma motocicleta elétrica de corrida que atinge mais de 300 km/hora; um mini-robô submarino capaz de chegar a até 100m de profundidade e de entrar em espaços compactos nos quais os mergulhadores não podem chegar.

TechShop: Democratizing Access To The Tools of Innovation from Maker Faire on FORA.tv