05
Dez
Democratizando o acesso às ferramentas da inovação
Em fevereiro deste ano estive em São Francisco para participar de duas conferências sobre inovação no sistema financeiro (The Future of Money and Technology Summit e Unmoney Conference). Poderia escrever muito sobre os dois eventos, mas uma terceira experiência na Califórnia ofuscou o restante. Foi a ida ao Tech Shop, makerspace criado em São Francisco em 2006 e já presente em mais quatro cidades dos Estados Unidos.
Há tempos ouço falar e vejo pela internet os makerspaces, fab labs, rede labs espalhados pelo mundo. Acompanhei muito de perto a criação do primeiro hackerspace no Brasil, o Garoa Hacker Clube, instalado desde 2010 no porão da Casa da Cultura Digital (e mais embrionariamente, nos idos de 2005, na sala da minha própria casa, quando Felipe Sanches e Rodrigo Pitanga, alguns dos fundadores do Garoa, viravam madrugadas lendo livros de inteligência artificial, enquanto gráficos 3D pulavam nas telas dos trocentos computadores espalhados pela casa).
Nenhuma experiência prévia, porém, diminuiu o meu encanto com o espaço criado por Mark Hatch. As muitas salas são todas equipadas com maquinários que variam de enormes impressoras a laser, impressoras 3D, todo o aparato possível para marcenaria, costura, robótica, restauração de prataria, construção de joias etc etc etc etc.

Um paraíso do Do It Yourserlf e impressionantemente amigável a qualquer um. A qualquer um mesmo. Tudo muito organizado, explicado, com possibilidade de cursos, mentorias e suportes diversos. As pessoas costumam deixar seus projetos de móveis, por exemplo, colados nas paredes. Assim, o próximo pode copiar, remixar e adequar a um novo formato. Não é de chorar de lindo?

Conheci antes o Noisebridge, um dos hackerspaces mais famosos do mundo e, de fato, um lugar incrível. Mas a sensação de “que legal, mas uma pena que não nasci com essas habilidades” só desapareceu na visita ao espaço seguinte (que ainda por cima consegue manter tudo em ordem e organizado).
Esta semana, o professor da FEA/USP e sociológo econômico Ricardo Abramovay publicou em sua coluna na Folha de S. Paulo o artigo O movimento dos fazedores e o espírito do faça você mesmo, sobre o novo livro de Chris Anderson. Na carona, Leo Foletto, do Baixa Cultura, postou A “nova” revolução industrial: fablabs e hackerspaces, explicando um pouco mais como funcionam esses espaços. Acabo de ler no blog Educ-Ação, um post inteiro (The Power To Do It Yourself) dedicado ao 3RD Ward, espaço em Nova Iorque similar ao Tech Shop. E aí foi impossível não lembrar da experiência do começo do ano!
Abaixo, um vídeo-palestra do Mark Hatch, na Make Fair de 2012, no qual ele explica todo o projeto e os resultados alcançado nesses anos. Uma das maiores importâncias desses espaços é o acesso à criação de protótipos e, por consequência, a democratização de invenções. No TechShop, foram criados, por exemplo, o Square, dispositivo que ao ser acoplado ao iphone possibilita pagamento por cartão de crédito/débito, uma motocicleta elétrica de corrida que atinge mais de 300 km/hora; um mini-robô submarino capaz de chegar a até 100m de profundidade e de entrar em espaços compactos nos quais os mergulhadores não podem chegar.
TechShop: Democratizing Access To The Tools of Innovation from Maker Faire on FORA.tv