17
Dez
“Social product development platform”: o case brasileiro
Meses atrás, meus olhos brilharam quando a Barbara Wolff Dick, sócia da Engage, empresa originalmente de Porto Alegre e especializada em plataformas para mobilização, contou que estava trabalhando em um projeto de criação coletiva de produtos. Uma espécie de Quirky brasileiro, mas com o foco em matérias-primas de menor impacto ambiental.
Empolgada com a ideia, me aproximei da iniciativa nos últimos meses e acompanhei bem de perto o processo do desenvolvimento final e lançamento da versão beta do Mineo, site dedicado à co-criação de produtos baseados em materiais sustentáveis (saiba mais assistindo o vídeo).
Mais empolgada ainda vejo agora as sugestões incríveis que chegam por meio da chamada criativa lançada no site. Fazer um porta tempero com lâmpadas queimadas, uma cestinha de bicicleta com fibra de coco e polvilho, um capacete dobrável produzido com borracha, polvilho e/ou poliuretano, reforçado com fibras de coco são algumas das ideias, que em breve devem ser prototipadas e testadas até virarem produtos comerciais (com os lucros distribuídos por toda a cadeia participante do processo).

A plataforma é uma sequência quase natural de um projeto já em andamento: o Matéria Brasil, da Fibra Design, da Sistema Ambiental e da própria Engage, que se propõe a mapear e catalogar fornecedores que lidam com fibra de coco, bambu, pvc reciclado, manta de fibra natural processada, entre muitos outros materiais “responsáveis” fabricados no Brasil.
MateriaBrasil from Materia Brasil on Vimeo.
Quase na mesma época, neste final de ano, duas outras plataformas surgiram com a proposta de criar produtos coletivamente: o Asap.me e o SaiadaGaragem.me (ainda em construção). Ao que tudo indica, em 2013 veremos o crescimento e expansão das iniciativas que pretendem abrir o processo de produção e levar a lógica da colaboração a esse mercado.
Se acontecer por aqui o que rolou nos Estados Unidos, iniciativas como essas impulsionarão a existência de todo o um mercado de novos inventores. Para se ter uma ideia, o Quirky em 2012, em seu terceiro ano de atividade, movimentou por volta de 25 milhões de dólares (leia matéria sobre o Quirky na Forbes) com a venda dos produtos criados na plataforma.
Fico torcendo para que o Mineo (e as demais plataformas) sirvam para materializar invenções incríveis que estão nas muitas mentes criativas que andam por aí…